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Candidatos 2.0
09/09/2008
A disputa eleitoral americana é uma verdadeira escola para quem está interessado em avaliar as oportunidades (e riscos) que a Web 2.0 apresenta para organizações de todos os tipos, e não somente partidos políticos. Aqui em New Orleans, aonde acontece a 61ª Conferência da Associação Mundial de Pesquisa de Opinião Pública, fica patente como uma candidatura saída “do nada”, como a de Barack Obama, surpreendeu analistas experimentados, que colocavam boa parte das suas fichas em Hillary Clinton até pouco tempo atrás.Da mesma maneira como Roosevelt foi o presidente que descobriu o poder do Rádio, e Kennedy o da televisão, alguns cientistas políticos acreditam que Obama, se eleito (e é bom lembrar que primeiro ele precisa conseguir se tornar candidato), poderá ser o presidente que “descobriu” o poder da Internet para mobilizar diretamente os eleitores. Segundo as últimas estatísticas, a campanha do senador de Illinois conseguiu criar mais de 8 mil grupos de apoio através da rede e obter doações de mais de 1,3 milhões de pessoas (também através da Web), o que lhe permitiu fazer frente a máquina arrecadadora de Hillary, comandada pelo seu marido, o ex-presidente Bill Clinton. Pensando em termos de marketing, é como se uma marca nova, com poucos recursos para competir na mídia tradicional com os gastos de uma marca mais estabelecida, decidisse apostar na mobilização de seus consumidores mais fiéis para chegar ao grande público. Antes do advento das comunidades on-line e dos sites de produção de conteúdo colaborativo, os custos para coordenar e difundir mensagens desta maneira acabavam custando mais caro que utilizar a mídia tradicional. A possibilidade de digitalizar as “opiniões” e “contribuições” de cada eleitor, expressas através de músicas, vídeos, depoimentos, etc., transforma-as em um verdadeiro “banco de idéias”, algumas das quais tem o poder de mobilizar outros eleitores, gerando contribuições adicionais e divulgação espontânea, que em certo momento atingem uma massa crítica e começam a chamar a atenção da mídia tradicional, que amplia este efeito. A campanha de Obama é notável, segundo os especialistas, por ter conseguido combinar o uso das “netroots” – os eleitores mais interessados e mais ativos politicamente, mas que andavam desanimados com a política - com a mídia de massa. Um grupo cria um clip para a campanha, este clip vai para um dos sites oficiais (como o barackobama.com/TV) e para o Youtube, e os próprios voluntários tentam chamar atenção de canais de rádio ou TV locais, o que por sua vez facilita a aparição na mídia nacional, e assim sucessivamente. É a combinação de material produzido por eleitores com a mídia de massa tradicional (dentro dos mecanismos clássicos de relações públicas) que permite a Obama apresentar-se como algo novo para um eleitorado que, há 16 anos, tem como alternativa de poder a família Bush (pai e filho) ou a família Clinton (Bill e Hillary). Talvez esses princípios possam ser aplicados não somente para outros candidatos, mas também para idéias e mesmo empresas. É claro que no Brasil ainda estamos distantes desta realidade, mas podemos chegar a ela mais rapidamente do que aconteceu com os americanos. Segundo dados do IBOPE Inteligência, referentes a eleição de 2006, apenas 6% dos eleitores mencionaram a Web como uma de suas principais fontes de informação política. É mais que as revistas (4%), mas ainda fica atrás do rádio (28%), jornais (29%) e televisão (76%). De maneira geral, estamos no mesmo nível de utilização que os EUA nas eleições do ano 2000. Entretanto, quando observamos o uso entre os eleitores de maior renda e escolaridade, observamos que a Web “empatou” ou mesmo superou o uso do rádio como fonte de informação política. Quando combinamos esta informação com os dados do IBOPE//NetRatings que mostram que o Brasil é líder mundial em navegação no domicílio e, em termos proporcionais, no uso de redes sociais e de conteúdo coletivo, é possível prever em uma evolução mais rápida do que a verificada nos EUA ou Europa, apesar das dificuldades de acesso da imensa maioria da nossa população. Os avanços tecnológicos permitiram concentrar um vasto poder na mão dos consumidores/eleitores. Quanto a isto, candidatos, governantes e empresas não podem fazer mais nada. Mas eles podem criar as condições para que este poder seja usado em seu favor. Até porque se não o fizerem, correm o risco de serem vítimas, e não atores, deste processo. Perguntem para Hillary Clinton. Fonte: IDG Now! |
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